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Privacidade na internet: porque importa, como defendê-la

As pessoas estão cada vez mais conscientes dos perigos da internet. A ideia de que não se tem nada a esconder, principalmente junto das gigantes tecnológicas (assumindo que elas tratam cada utilizador como mero potencial consumidor anónimo), está a ser substituída por uma maior noção da importância da proteção de dados pessoais. A privacidade na internet deixa de ser uma preocupação de nicho, para geeks e profissionais, e começa a impor-se como uma preocupação do cidadão comum – tão importante como trancar as portas do automóvel ou de casa.

Laura Klusaite

Laura Klusaite

Mar 16, 2021 · Leitura de 6 min

Privacidade na internet: porque importa, como defendê-la

Privacidade na internet: porque importa

Por um lado, os cidadãos estão a ganhar consciência de que as empresas (grandes e médias) têm maior capacidade de manipular emoções e vontades através do conhecimento e análise dos dados dos utilizadores. E quem diz empresas diz movimentos políticos, como se viu no escândalo Cambridge Analytica. Por outro, há maior noção de que a partilha de dados abre portas a cibercriminosos que queiram roubar informação, espiar as comunicações e atividades de potenciais vítimas ou até praticar roubo de identidade.

Não será por acaso que pululam artigos sobre apagar contas, pois as pessoas estão progressivamente mais interessadas em desligar-se de certos serviços online e de nem sequer deixar traço da sua presença. Mas isso não significa que seja necessário apagar o Snapchat, o Facebook, o Outlook, o Telegram ou o Gmail para impedir uma invasão de privacidade online.

O papel do utilizador

As ações do utilizador são o primeiro passo a determinar ameaças à sua privacidade. Usar as redes privativas de uma empresa ou universidade para conversas do foro privado nunca pode ser considerado seguro, pois haverá sempre administradores próximos. De resto, além do uso de redes privadas, este é também um dos principais perigos das redes sociais: a facilidade de monitorização por amigos, por colegas ou até por desconhecidos.

No Facebook, um comentário feito no perfil de um amigo ou numa página pública são lidos por dezenas ou centenas de pessoas, mesmo que não sejam “amigos” de quem fez o comentário. Se as publicações estiverem abertas a estranhos, os riscos para a privacidade são ainda maiores. O exemplo mais frequente é o de não partilhar fotos de férias ou indicações públicas de que se está de férias enquanto as férias durarem; tal pode representar um chamariz para ladrões que se sintam seguros da ausência do proprietário.

Riscos gerais relativos à privacidade na internet

Mesmo “descontando” estes cenários habituais, há muitos outros onde um utilizador discreto (ou assim ele se veja a si próprio, pelo facto de evitar entrar em discussões ou fazer comentários) pode ver a sua privacidade ameaçada.

Rastreamento

A compilação de dados de utilização permite às empresas tecnológicas criar perfis de utilizador com alto grau de rigor (através de técnicas de data mining e com recurso às possibilidades da inteligência artificial). Tais perfis podem ser indevidamente cedidos a empresas terceiras, que disporão assim de recursos poderosos para lançar publicidade altamente direcionada e personalizada aos utilizadores em questão.

Vigilância

Governos de todo o mundo têm forçado os fornecedores de serviços de internet e as grandes empresas tecnológicas a fornecer dados pessoais sobre utilizadores. Mesmo as autoridades de países democráticos não se eximem de abusar dos seus poderes, como ficou constatado quando a NSA norte-americana espiou milhares de pessoas, incluindo a chanceler alemã Angela Merkel. Para quem acede ou troca informações com pessoas em países governados por ditaduras, os riscos são acrescidos.

Roubo de identidade

Nos casos mais graves, o acesso a dados pessoais de um utilizador pode chegar ao roubo de identidade. A Gemalto, uma das mais importantes empresas mundiais na área da segurança informática (fundida com a Thales em 2019), anunciava em 2018 que 4,55 biliões de dados de informação haviam sido comprometidos só no primeiro semestre desse ano. Embora os casos de roubo de identidade não constituam ainda alarme social, poderão aumentar nos próximos anos. O acesso a dados como o número de identificação civil, contribuinte ou de segurança social poderão servir, por exemplo, para cometer crimes online em nome de outras pessoas, criando-lhes um problema legal sério e dificultando ao máximo a identificação do verdadeiro criminoso.

Geolocalização

Teóricos da conspiração acusam as farmacêuticas, sem qualquer fundamento ou validade, de incluírem microchips em vacinas, sendo um dos argumentos avançados a possibilidade de geolocalizar os portadores. Ironicamente, muitas destas pessoas utilizam smartphones e nem sequer se incomodam com o facto de as empresas tecnológicas já estarem a fazer esse rastreamento. Principalmente porque os utilizadores que estudam as definições (“settings”) das apps e dos sistemas operativos e impedem esses acessos são geralmente os mais bem informados.

Como manter a privacidade na internet

Evitar comentários potencialmente difamatórios nas redes sociais, não revelar que se está de férias e não fornecer dados ou informações pessoais são dicas de segurança associadas ao comportamento básico. Mas vejamos agora mais dicas de segurança na internet, relacionadas com a parte técnica da sua utilização.

Permissões e autorizações

O grau de privacidade nas redes sociais é gerido pelo utilizador nas opções ou definições da sua conta. As leis nacionais e europeias obrigam o Facebook, o LinkedIn e outros a dar um grande grau de autonomia ao utilizador no sentido deste decidir quem pode aceder a quê. É importante estudar essas definições de modo a manter a privacidade na internet ao máximo.

Gestão de passwords

Evite usar a mesma password para todas as suas contas e serviços. Se isso acontecer, caso um hacker tenha acesso a uma delas, terá a todas. Use passwords seguras; evite password do género “ABC” ou “123456”, baseadas no seu nome, data de nascimento ou nome de familiares.

Tais passwords são facilmente adivinháveis por atacantes. Pondere utilizar um bom gestor de passwords como NordPass online para garantir maior segurança. E não se esqueça de mudar as suas principais passwords periodicamente.

Utilizar pseudónimos

Se está mesmo interessado em debater um tema na internet mas não tem interesse em tornar-se ativista, porque não utilizar um pseudónimo? Parece inofensivo, mas programas de vigilância poderão associar o seu nome real a comentários frequentes feitos em diferentes sites.

Atenção ao envio de currículos

Há várias formas de divulgar dados pessoais. Costuma-se pensar no preenchimento dos formulários de sites potencialmente inseguros. Contudo, é também importante ter em atenção aos currículos que se enviam para dezenas ou centenas de empresas. Ainda que as empresas possam não ter interesse em servir-se desses dados para fins maliciosos, elas poderão ser atacadas por hackers que ficarão na sua posse. Os currículos não devem ter mais elementos de identificação pessoal que o estritamente necessário.

E-commerce

Fazer compras online é cada vez mais “normal”, mas os consumidores não devem baixar a guarda por via da habituação. É importante investir apenas em lojas ou sites com prestígio, desconfiar dos preços demasiado bons e garantir que o site está protegido com protocolo HTTPS, sem o qual a transmissão de dados pessoais estará sujeita a interceção por terceiros.

Seja cético, desconfie

É importante recusar pedidos de amizade ou contacto de desconhecidos. No mesmo sentido, deve desconfiar-se de links com notícias incríveis, chocantes ou bombásticas; mais do que “fake news”, poderão ser iscos de uma manobra de “phishing” para levar o utilizador a permitir a instalação de vírus ou malware no seu aparelho. A utilização de computadores públicos deve ser também extremamente discreta.

Alterar o IP

Alterar o IP faz com que seja mais difícil aos “trackers” criar um perfil de utilizador com base nas pesquisas e preferências, uma vez que tais perfis são geralmente associados a um IP. Também ajuda a evitar a deteção por parte de autoridades governamentais estrangeiras.

Ferramentas de privacidade avançadas, mas simples

Defender a segurança e privacidade na internet pode também passar por ferramentas mais avançadas mas que se vêm tornando cada vez mais fáceis de utilizar. Em vez dos navegadores (“browsers”) mais correntes, pode-se optar por navegadores privados, com níveis de segurança mais elevados. De entre eles destaca-se o navegador Tor, que dá acesso a uma conhecida rede de navegação baseada no conceito de nós ou “camadas”, tornando a identificação do utilizador muito difícil para terceiros. Porém, o Tor exige alguns níveis de conhecimento técnico e pode tornar-se lento (caso as comunicações passem por um grande número de nós).

Outra possibilidade é usar uma VPN, concentrando várias funcionalidades de segurança. As “redes privadas virtuais” são fundamentais quando se procura proteção numa rede de Wi-Fi pública, sendo estas particularmente vulneráveis a cibercriminosos. Mas são úteis em qualquer situação: criam um “túnel” de encriptação, dificultando a compreensão do conteúdo de e-mails e mensagens em caso de interceção por terceiros, e tornam essa mesma interceção mais difícil. Permitem trocar de IP, fazer comparações de preços livres do efeito dos “cookies” e protegem toda uma rede doméstica ou empresarial, e não apenas um só computador ou smartphone.

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