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Os perigos das redes sociais

As redes sociais deixaram há muitos anos de ser uma brincadeira de adolescentes para passar a ser um fórum onde grande parte do mundo se encontra, ao ponto de a sua utilização implicar consequências económicas e políticas. Andar pelas redes sociais parece algo inofensivo, mas existem alguns perigos inerentes. Vejamos em seguida quais são.

Ilma Vienazindyte

Ilma Vienazindyte

Oct 28, 2020 · Leitura de 6 min

Os perigos das redes sociais

Ansiedade

Um dos maiores perigos das redes sociais é a ansiedade. Uma breve consulta de uma rede social expõe o utilizador a estímulos da mais diversa natureza: notícias preocupantes, comentários ofensivos de desconhecidos, comentários intrigantes de pessoas conhecidas, novidades do desporto, propostas comerciais irrecusáveis, desinformação alarmista e sensacionalista, etc. Estes estímulos provocam diversas reações no organismo, levando a diversos efeitos: a sensação de que o tempo se escoa sem saber como, o oscilar entre a preocupação e a euforia, etc. Durante a pandemia, muitas pessoas optaram por desligar-se das redes sociais por considerarem que lhes estava a trazer mais prejuízos que benefícios.

Baixa autoestima

É frequente que sejamos confrontados nas redes sociais com modelos, padrões e estilos de vida melhores que os nossos. Seja devido a estratégias de marketing das empresas, seja porque as outras pessoas gostam de mostrar uma imagem idealizada das suas vidas para o público. Para alguns utilizadores das redes sociais, esta sensação repetida de que os outros são melhores ou têm vidas melhores pode levar a perdas de autoestima.

Perda de privacidade

A exposição pública é um risco, pelos mais variados motivos. Partilhar nas redes sociais que se vai de férias pode ser um chamariz para assaltantes de casas. As opiniões que se partilham na internet, por mais que tal possa ser considerado uma forma de intervenção cívica em democracia, têm custos no que respeita à informação a que futuros empregadores possam ter acesso. Aliás, teme-se que, a longo prazo, a perda de privacidade possa atingir especialmente as crianças, à medida que programas de identificação facial arquivem registos individualizados de milhões de pessoas cujos dados sejam partilhados nas redes sociais durante anos. De resto, a utilização das redes sociais deve obedecer ao princípio elementar da vida social “offline” que é ensinado às crianças: não falar com estranhos.

Ciberbullying

O ciberbullying é um dos principais perigos no que respeita aos jovens e às redes sociais. A baixa autoestima das vítimas é um dos potenciais efeitos, porém, dependendo das circunstâncias, isto pode resultar na total marginalização social da vítima.

Exposição a criminosos e a conteúdos impróprios

A pornografia, a violência e outros conteúdos impróprios conseguem expandir-se com grande velocidade através das redes sociais. Ainda que os mecanismos da própria rede social diminuam a divulgação destes conteúdos na rede, é frequente que ela seja utilizada (com grande eficácia) para captar utilizadores que irão depois visitar websites com conteúdos desse género. Além disso, o contacto com desconhecidos é um dos principais riscos das redes sociais, nomeadamente pela possibilidade de encontrar cibercriminosos. O assédio sexual a menores encontra nas redes sociais uma ferramenta de expansão frequente, a que só a educação consciente do menor ou a monitorização parental podem pôr cobro.

Finalmente, as redes sociais são também um meio cada vez mais frequente para disseminar malware. Vírus, adware e outro tipo de ficheiros executados de forma semiautónoma espalham-se com rapidez por milhões de aparelhos por todo o mundo através de ações simples de phishing. Por exemplo, um título sensacionalista de um suposto site de notícias leva o utilizador a clicar, tornando-se vítima de um ataque de hardware. Em casos mais graves, a vítima pode ter o seu computador rastreado por um software oculto que transmite dados pessoais (passwords, dados bancários, etc.) a um cibercriminoso remoto. Contra este género de ameaças, fazer o download de uma VPN é a melhor defesa; uma Virtual Private Network (VPN) atuará como uma muralha virtual, dificultando a vida aos hackers.

A bolha de informação

Um dos maiores impactos das redes sociais na sociedade tem sido a criação de “bolhas de informação” ou “câmaras de eco”. A lógica de funcionamento de grupos de pessoas e dos algoritmos que orientam a informação de acordo com as preferências dos utilizadores têm feito com que milhões de pessoas tenham acesso a informação que reforça as suas convicções prévias sobre os mais diversos assuntos. Isto faz com que a abertura a ouvir ideias e convicções diferentes se torne cada vez mais difícil. Alguns estudos apontam que a polarização política e social existente nos Estados Unidos, por exemplo, é em grande parte motivada por este fenómeno.

As vantagens das redes sociais

Naturalmente, existem diversas vantagens nas redes sociais, extremamente válidas, que nos motivam a continuar a utilizá-las e a fazê-lo em segurança.

Reencontro de colegas

Originalmente, o Facebook nasceu como substituto dos “livros de fim de curso” típicos das universidades norte-americanas. Porém, Mark Zuckerberg apercebeu-se muito rapidamente do potencial da sua plataforma para muitos outros fins, e muito além do campus da universidade. De qualquer forma, as redes sociais continuam a ser muito eficazes para encontrar colegas e conhecidos que não vemos pessoalmente há anos.

Manter o contacto com a família e os amigos

Naturalmente, se a rede é útil para nos ligarmos a pessoas com as quais perdemos o contacto, mais o é para mantermos a ligação à família e aos amigos de uma forma bastante simples.

Divulgação de currículo e acesso a ofertas de emprego

As redes sociais não se limitam ao Facebook e ao Twitter. O Linkedin ganhou especial proeminência enquanto rede social para contactos profissionais. O clássico cartão de visita foi hoje substituído por um perfil no Linkedin, principalmente em determinadas áreas económicas ligadas aos serviços. O Linkedin é excelente tanto enquanto ferramenta gratuita de divulgação de um currículo como para pesquisar ofertas de emprego, através dos contactos pessoais.

Acesso a notícias e a entretenimento

Grande parte das notícias e do entretenimento a que acedemos vem pelas redes sociais. Selecionando as fontes de informação (seguindo órgãos de comunicação social credíveis, por exemplo), é um meio prático de o fazer.

Como reduzir o uso das redes sociais

As razões para “gastar” demasiado tempo nas redes sociais variam. Nalguns casos, bastará tomar consciência do tempo gasto (em número de horas) para se passar a usar menos. Noutros, há razões fortes que dificultam uma menor utilização. Vejamos algumas soluções práticas.

Truques e dicas para usar menos as redes sociais

  • Siga menos pessoas, menos páginas e menos grupos
  • Suponha que tem 600 amigos no Facebook, pois adicionou pessoas conhecidas ao longo de anos. Estará realmente interessado em tudo o que todos eles têm a dizer, desde detalhes da vida pessoal a histórias irrelevantes, passando por notícias falsas? Siga apenas as pessoas mais próximas ou as mais interessantes e deixe de seguir as outras. O mesmo é válido para páginas e grupos, que lhe dão acesso aos comentários de centenas ou milhares de desconhecidos.

  • Procure fontes de informação alternativas
  • Já chegou ao ponto em que toda a informação lhe chega através do feed da rede social? Experimente voltar a assinar um jornal, ou receber as suas newsletters por e-mail. O mesmo é válido para a informação comercial. Receba as newsletters das empresas e marcas que mais lhe interessam por e-mail. Para quê depender do algoritmo do Facebook se pode receber diretamente no e-mail, sem intermediários?

  • Procure hobbies alternativos
  • O uso das redes sociais serve, por vezes, como passatempo. Encontrar um passatempo alternativo pode resolver o problema e até outros; talvez encontre o tempo que faltava para fazer exercício, por exemplo! Os hobbies também podem passar pela internet, como jogar… ou ler as newsletters por e-mail que se subscreveram para substituir o feed da rede social.

  • Defina objetivos e regras
  • Ter objetivos concretos é sempre útil. Pode passar por “não usar as redes sociais mais de 30 minutos por dia”, ou “não usar à mesa” ou “usar apenas dentro de determinado horário”. Avalie se está a conseguir atingir esses objetivos.

  • Use ferramentas de apoio (software)
  • Uma extensão de browser ou uma aplicação móvel podem impedir aquele acesso fácil e imediato às redes sociais (basta um clique!) em determinados momentos do dia ou da noite. Esse bloqueio é suficiente para que o utilizador pense duas vezes e desista de aceder.

  • Recompense-se a si mesmo
  • Estabelecer objetivos e atingi-los deve vir acompanhado de uma recompensa! Pode tratar-se de ir sair com amigos, comprar determinado videojogo, ir a certo restaurante ou comprar roupa nova. A recompensa servirá como estímulo e recordará, a cada momento, de que se trata de um esforço sério.

  • Elimine as suas contas
  • No limite, se concluir que não retira nenhum benefício de uma rede social, será preferível eliminar a respetiva conta. Veja aqui como:

Nunca diga “nunca mais”

Algumas pessoas beneficiarão de um corte súbito e definitivo das redes sociais. É especialmente o que acontece quando se consulta por uma simples questão de hábito. Mas para a maioria é mais eficaz proceder a uma redução sucessiva, “atacando” as razões que levam à utilização em excesso, mas não todas de uma vez só. De acordo com um estudo publicado pela American Economic Association em 2020, uma pausa temporária no uso de redes sociais é um grande passo para levar a pessoa a reduzir posteriormente, e de forma permanente.

Se não for possível cortar de uma vez só (até porque as redes sociais têm as vantagens acima abordadas), avance através de pequenos passos. Tire partido do melhor da sua conta de rede social e afaste-se progressivamente do pior!