Teste Nacional de Privacidade de 2026: como os brasileiros lidam com as ciberameaças?

O National Privacy Test (NPT, ou Teste Nacional de Privacidade) está de volta. Esse ano, mais de 20000 usuários online de ao menos 27 países responderam 24 perguntas sobre privacidade online e cibersegurança. Como o Brasil se saiu no teste? Vamos analisar alguns números e dados bem interessantes sobre as noções de cibersegurança dos brasileiros.

Woman checking The National Privacy Test results on a phone while sitting on a bench.

Sobre o Teste Nacional de Privacidade

O National Privacy Test (Teste Nacional de Privacidade) é uma iniciativa da NordVPN que teve sua primeira edição em 2020 e que foi projetado para testar o nível de conhecimento dos usuários online sobre privacidade e riscos de cibersegurança. Ele está disponível para qualquer pessoa online e não define limites de idade, gênero ou origem social, o que significa que não é uma representação nacional.

A edição de 2026 vem com algumas revisões específicas, incluindo várias perguntas que foram substituídas ou refeitas para abordar tópicos mais atuais como riscos de privacidade relaiconados à IA, reconhecimento de conteúdo deepfake e ameaças físicas de cibersegurança que estão ganhando mais espaço (como golpes com QR code e estações de recarga de USB).

Por conta das novas revisões, os resultados desse ano não são comparáveis aos das edições anteriores do Teste Nacional de Privacidade. Agora em 2026, os resultados podem ser comparados dentro de duas categorias: entre os países participantes para destacar a média geral e perceber se um país tem um desempenho acima ou abaixo dessa média global.

Metodologia

O Teste Nacional de Privacidade 2026 (NPT) é composto por 24 perguntas divididas em três categorias:

  • Vida digital cotidiana. As perguntas foram elaboradas para medir como as pessoas lidam com a rotina do dia a dia digital — coisas como gerenciar permissões de aplicativos, manter o software atualizado ou usar o Wi-Fi público com segurança.
  • Conscientização sobre privacidade. As perguntas visam avaliar o quanto as pessoas compreendem o cenário mais amplo da privacidade, incluindo como seus dados são coletados, armazenados e usados por empresas e plataformas. Essa categoria abrange temas como proteção por senha, consciência sobre rastreamento de dados e entendimento de malwares e infostealers.
  • Riscos digitais. As perguntas buscam avaliar como as pessoas reagem a situações de risco específicas que podem encontrar online. Essa categoria cobre cenários como reconhecer deepfakes, decidir se vale a pena salvar dados de pagamento no navegador, responder a e-mails suspeitos e entender quais informações não devem ser compartilhadas com ferramentas de IA.

A pontuação do teste varia de 0 a 100 e reflete o nível de compreensão do participante sobre privacidade online e cibersegurança. Cada resposta correta vale aproximadamente 4,15% da pontuação final — quanto maior a nota, maior a conscientização e o conhecimento. Com base na pontuação, os participantes recebem personas digitais (falamos mais sobre elas abaixo).

Até o momento da publicação deste texto, 23.181 pessoas concluíram o teste, uma queda em relação às 30.792 de 2025 e às 25.567 de 2024. Entre os países participantes estão Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Lituânia, México, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Singapura, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

Os números deste artigo refletem as respostas coletadas até 31 de julho de 2026. Se os resultados no site do NPT parecerem ligeiramente diferentes, é porque mais pessoas fizeram o teste desde então.

Observação: o conjunto de dados demográficos do NPT 2026 abrange cerca de 23.200 respondentes no mundo, mas a amostra não é representativa da população em geral. Os dados vêm de pessoas que fazem o teste de privacidade online voluntariamente, então provavelmente refletem grupos mais engajados digitalmente. Comparações entre resultados devem ser interpretadas levando em conta essa limitação da amostra.

Cyber personas

Uma cyber persona (ou perfil cibernético) é um perfil projetado para representar e categorizar diferentes níveis de conhecimento e conscientização de todas as pessoas que participam do Teste Nacional de Privacidade. Com base nos resultados do teste, os participantes são recebem uma das quatro cyber personas abaixo:

  • Cyber Wanderer (1-24% de pontuação). O cyber wanderer (ou viajante cibernético) tem um nível de conhecimento muito limitado sobre segurança online. Eles possuem um nível mais baixo de conscientização sobre como proteger contas, dispositivos ou dados pessoais e têm mais probabilidade de se expor às ameaças digitais mais comuns.
  • Cyber Tourist (25-49% de pontuação). Os turistas cibernéticos têm alguma noção básica sobre cibersegurança, mas ainda cometem erros simples. Eles podem reconhecer certas ameaças em termos gerais, mas muitas vezes não sabem como responder a elas na prática.
  • Cyber Adventurer (50-74% de pontuação). Os aventureiros cibernéticos entendem a maioria dos riscos de privacidade do cotidiano. Eles sabem como se proteger em várias situações e seguem bons hábitos digitais no geral, mas ainda possuem algumas lacunas em termos de conhecimento sobre áreas e temas mais especializados e ameaças mais recentes.
  • Cyber Star (75-100% de pontuação). As estrelas cibernéticas possuem o nível mais alto de conhecimento. Eles são bem informados sobre riscos online, entendem como os dados são coletados e usados e seguem práticas digitais saudáveis de maneira consistente.

Até a presente data, 2% dos participantes do NPT de 2026 são Cyber Stars, 3% são Cyber Wanderers, 42% são Cyber Adventurers e 53% são Cyber Tourists.

Quais os resultados desse ano?

Os resultados do NPT de 2026 ficaram logo abaixo da marca dos 50 pontos, com 46 pontos como a pontuação média global do NPT. Entre todos os países participantes, a média de respostas corretas por pessoa foi de menos da metade das perguntas sobre cibersegurança do Teste Nacional de Privacidade.

Quando se trata de três categorias, a média global foi de 30 pontos na categoria de Vida digital cotidiana, 51 em Conscientização sobre privacidade e 53 pontos sobre Riscos digitais. A diferença entre saber sobre ameaças digitais (51 e 53 pontos) e adotar hábitos de segurança digital (apenas 30 pontos) sugere que as pessoas entendem osbre conceitos de privacidade em um nível razoável, mas são muito menos propensas a aplicar na prática aquilo que elas entendem.

O mais interessante sobre os resultados desse ano é que os dados a nível de questões revelam três lacunas entre tópicos que são relacionados:

  • Criação de senhas x armazenamento de senhas. Quase todas as pessoas sabem como criar uma senha forte (96%), mas quase nenhuma sabe como armazenar essas senhas de modo seguro (18%). Essa diferença é a maior contradição do teste.
  • Riscos relacionados à IA. A maioria das pessoas sabe que os posts em mídias sociais podem ser usados para treinar modelos de IA (9%), mas poucas sabem quais informações não devem ser compartilhadas com ferramentas de IA (57%) e quase ninguém sabe sobre questões de privacidade relacionadas à IA no trabalho (5%).
  • Rastreamento de dados. A grande maioria dos participantes sabe que as empresas coletam seus dados de navegação (83%), mas uma parcela muito pequena dos participantes entende o que os cookies realmente fazem (24%), quais dados os apps acessam através das permissões (8%) ou quais ferramentas existem para limitar esse rastreamento (quase 0%). Isso sugere que os participantes entendem sobre o conceito abstrato de rastreamento, mas não sabem sobre as mecânicas do rastreamento baseado em IA e os meios para limitá-lo.

Como o Brasil se saiu no teste?

O Brasil atingiu 44 pontos, atingindo a maior pontuação entre os países da América Latina e chegando à oitava posição no ranking internacional (subindo duas posições em relação ao ranking da ediçao de 2025 do teste).

Infographic: US population results

A maior pontuação dos participantes brasileiros foi nas categorias de conscientização de privacidade e de riscos digitais, ambas com 50%. A mais baixa foi na categoria de vida digital diária, com apenas 29%.

Isso mostra a tendência do teste global do abismo entre ter o conhecimento sobre riscos digitais e aplicar na prática os hábitos de cibersegurança necessários para melhorar garantir mais segurança e privacidade online.

Infographic: NPT results

Entre os brasileiros, 95% dos participantes sabem como criar uma senha forte e 91% sabem que posts em mídias sociais podem ser usados em treinamentos de IA. Mas só 17% sabem como identificar um site de phishing e só 1% conhece quais ferramentas online ajudam na proteção da privacidade digital.

As cyber personas no Brasil

Entre os brasileiros, a divisão entre as quatro cyber personas (ou perfis cibernéticos) na edição de 2026 do Teste Nacional de Privacidade ficou assim: 58% de Cyber Tourists, 36% de Cyber Adventurers, 5% de Cyber Wanderers e a porcentagem restante de Cyber Stars.

Esses números confirmam que, na média, os brasileiros possuem um nível razoável de compreensão sobre privacidade e ciberameaças, mas com uma quantidade grande de pessoas caindo na categoria mais baixa (Cyber Wanderers). Isso mostra que, apesar da melhora em relação aos anos anteriores, o Brasil ainda tem um caminho bem longo para construir um cenário digital mais seguro.

Tendências globais

Com base nos resultados do NPT desse ano, a Europa é o continente com melhor pontuação e com os resultados mais diversos. Seus resultados positivos se apoiam em um nível mais alto de consciência sobre privacidade dos dados, com os participantes dos países europeus pontuando acima da média global no tópico de práticas de rastreamento da Meta, armazenamento seguro de sehas e os riscos de salvar dados dos cartões de crédito nos navegadores. Essa tendência reflete a influência cultural e regulatória da GDPR.

Infographic: global trends

Em relação à região Ásia-Pacífico, Singapura lidera o ranking mundial do NPT, enquanto a Coreia do Sul empata na última posição com a Argentina e a Itália. O ponto forte característico dessa região é a leitura dos termos de serviço e a consciência sobre infecções por malware. Sua principal fraqueza é a conscientização sobre a coleta de dados da Meta, provavelmente por causa da presença de mercado mais fraca da empresa em partes da Ásia.

A América do Norte apresenta um perfil de conhecimento bem sólido sobre malware, resposta a fraudes bancárias e identificação de deepfakes. Esses pontos fortes refletem uma alfabetização midiática bem alta em relação às ciberameaças. Só que a região tem grandes pontos cegos, incluindo um nível mais baixo de consciência sobre atualizações de aplicativos, armazenamento de senhas e riscos de códigos QR. Os EUA ficam um pouco à frente do Canadá, principalmente por conta de uma consciência mais alta sobre malware e reconhecimento de ameaças.

E, para completar, a América Latina tem a pontuação mais baixa, embora a diferença para a média global não seja tão grande (42,7 contra 46 pontos). O ponto forte relativo da região é a resposta a fraudes bancárias e o comportamento em relação a atualizações de aplicativos, o que sugere boa consciência sobre ações de segurança práticas e de alto impacto. Entre as principais fraquezas da região estão o baixo reconhecimento de golpes com IA, menos consciência sobre o compartilhamento de dados com ferramentas de IA e a falta de informações sobre gestão de contas inativas. A Argentina tem o pior desempenho, com pontuações bem baixas em armazenamento de senhas e conhecimento sobre infostealers.

Infographic: global results

Particularidades das análises demográficas

Existe um estereótipo muito comum de que a idade é o fator mais importante na definição do nível de conhecimento e capacidade de enfrentamento das ciberameaças. Os resultados do NPT de 2026 podem até aparentemente apoiar essa ideia, já que o grupo da faixa etária de 65 anos ou mais apresenta algumas vullnerabilidades como menor capacidade para lidar com os riscos de cibersegurança mais recentes, a dificuldade de adotar práticas de higiene digital e a falta de conhecimento sobre ameaças mais complexas, o que aponta para prioridades educacionais mais concretas do que uma necessidade genérica de melhorar o nível de consciência sobre o tema em si.

Mas a ideia errada de que pessoas mais jovens são naturalmente mais conscientes sobre temas de segurança digital e de tecnologia como um todo não é uma ideia muito correta. Jovens adultos são de fato mais capazes de reconhecer novas ameaças como riscos de estações de carregamento de USB e golpes com QR code, mas a pontuação dessa faixa etária foi menor do que a de adultos mais velhos em termos de capacidade de reconhecer padrões de golpes, reagir corretamente a e-mails fraudulentos e entender sobre permissões de apps. Esses resultados sugerem que a fluência digital não é a mesma coisa que conhecimento digital. Além disso, o grupo da faixa etária entre 30 e 44 anos tem uma pontuação melhor do que todos os outros, provavelmente porque consegue unir fluência digital e experiência online.

Como o NPT reflete a capacidade global de enfrentar as ciberameaças?

O Teste Nacional de Privacidade de 2026 mostra um panorama consistente entre todos os países participantes. As pessoas parecem saber mais sobre privacidade online hoje do que antes, mas esse aumento no conhecimento não se reflete em ação. A consciência sobre a gravidade das ameaças, principalmente as mais complexas como deepfakes, malware e fraudes bancárias, é bem alta no mundo todo, praticamente. Mas, mesmo assim, os hábitos diários como armazenamento seguro de senhas, manter as atualizações dos apps e tomar cuidado com códigos QR expotos são os pontos nos quais os participantes tiveram o pior desempenho.

Como o teste é diferente das edições anteriores, com novas perguntas adicionadas sobre ciberameaças relacionadas à IA, é mais difícil e complexo comparar os resultados desse ano com os resultados dos anos anteriores, Mas o abismo entre as ameaças que as pessoas conseguem reconhecer e as ameaças que elas mais enfrentam parece estar aumentando.

E então, quer saber quantos pontos você consegue tirar? Participe do Teste Nacional de Privacidade opens in a new tab e teste seus conhecimentos. E, se você quiser saber mais sobre os resultados da edição de 2026, dê uma olhada no relatório NPT de 2026 opens in a new tab.

Os materiais completos da pesquisa usados para produzir esse estudo podem ser encontrados aqui opens in a new tab.

Também disponível em: Dansk,Deutsch,English,Español Latinoamericano,Español,Suomi,Français,Français,Italiano,日本語,Nederlands,Norsk,Polski,Svenska.

Jean Augusto | NordVPN

Jean Augusto

Jean é entusiasta de cybersegurança e copywriter na NordVPN. Uma das suas maiores motivações é criar e disseminar conteúdo que ajuda as pessoas a adotar comportamentos que promovem a melhoria da segurança pessoal na internet.