Sobre o Teste Nacional de Privacidade
O National Privacy Test (NPT, ou Teste Nacional de Privacidade) é uma pesquisa internacional que mede o nível de compreensão das pessoas sobre segurança na Internet e privacidade online. O teste inclui 22 perguntas abrangendo três áreas: hábitos digitais diários, consciência sobre privacidade e ameaças à cibersegurança.
Esse ano, mais de 30000 pessoas de 185 países participaram do teste para verificar o nível de higiene cibernética delas. Para tornar essa comparação global significativa, a análise focou em 31 países com o maior número de respostas, cada um deles com pelo menos 100 participantes. A abordagem revela não só a pontuação dos participantes, mas também como os países diferem em termos de conhecimento sobre segurança online.
Cada país recebe uma pontuação no Teste Nacional de Privacidade com base no desempenho dos participantes em três categorias. Os participantes também são agrupados em quatro ‘’perfis cibernéticos’’ distintos que refletem o nível de compreensão sobre cibersegurança, do menor para o maior nível.
Antes de dar uma olhada nos resultados desse ano, vamos explicar como as pontuações do NPT são calculadas e o que cada perfil cibernético significa.
Como nós calculamos as pontuações
O Teste Nacional de Privacidade tem pontuações que mostram o nível de compreensão de uma pessoa sobre privacidade online e cibersegurança. Para calcular essa pontuação, nos levamos em conta três áreas separadas:
- Vida digital diária: como as pessoas lidam com informações pessoais como senhas, atualizações de apps, compartilhamento de dados e permissões de apps.
- Nível de consciência sobre privacidade: o quão bem uma pessoa reconhece os riscos relacionados a golpes, tentativas de phishing e como as empresas coletam os dados pessoais.
- Tolerância aos riscos digitais: o nível de cautela ao se deparar com situações de risco online.
O teste tem 22 perguntas no total e cada uma delas corresponde a 4.5% do score. Nós calculamos a pontuação do NPT calculando a média dos scores das três categorias. Quanto mais respostas certas uma pessoa consegue em cada categoria, maior será a pontuação total final do NPT.
O que são as personas cibernéticas?
Para tornar os resultados mais fáceis de entender, todo mundo que participa do teste cai em uma das quatro ‘’personas cibernéticas’’ (ou perfis cibernéticos). Cada uma delas representa um nível diferente de conhecimento e consciência:
- Cyber Wanderer (1-24%): os nômades ou andarilhos cibernéticos têm pouco ou nenhum conhecimento sobre segurança online. Geralmente eles não sabem como proteger as próprias contas, dispositivos e dados.
- Cyber Tourist (25-49%): os turistas cibernéticos sabem um pouco mais que os andarilhos cibernéticos, mas ainda assim também cometem erros. Eles podem reconhecer algumas ameaças, mas não sabem exatamente como reagir a elas.
- Cyber Adventurer (50-74%): os aventureiros cibernéticos entendem a maior parte dos problemas diários de privacidade e de segurança. Eles sabem como se proteger em várias situações, mas ainda precisam melhorar em termos de bons hábitos de segurança digital.
- Cyber Star (75-100%): as estrelas cibernéticas formam o grupo com maior nível de compreensão. Elas são muito conscientes sobre os riscos online, entendem como proteger os dados e seguem bons hábitos de segurança digital.
O que os números mostram?
Em relação ao Brasil, os dados de 2025 mostram informações interessantes. Os brasileiros dividem a nona posição no ranking global com o México e a Argentina, com uma pontuação geral de NPT de 54, registrando uma queda em relação aos 59 pontos registrados em 2023 e os 57 alcançados em 2024.
Infelizmente, as médias dos brasileiros estão abaixo das médias globais em todas as categorias.
Em termos gerais, os resultados dos participantes brasileiros não divergem significativamente dos participantes mexicanos e argentinos, o que se reflete no score idêntico entre os três países. Mas há outras informações bem interessantes sobre os resultados de 2025 para o Brasil.
Principais insights
O Teste Nacional de Privacidade de 2025 mostra pontos importantes que permitem entender os pontos fortes e as principais vulnerabilidades que os brasileiros precisam corrigir:
- A pontuação geral dos brasileiros ficou em 54, a mesma dos mexicanos e argentinos, acima de países como Espanha (52), Itália, Japão e Coreia do Sul (todos com 50), mas bem abaixo de países como Lituânia (62), Singapura (61), Índia (61), Polônia (60) e Finlândia (60).
- Em comparação com os Estados Unidos, o Brasil fica bem atrás na pontuação geral. Os EUA fizeram 59 pontos, mantendo a mesma pontuação em relação a 2024, mas os brasileiros perderam 3 pontos em comparação com os 57 registrados em 2024.
- Mesmo com a nota geral menor, em alguns pontos a pontuação dos brasleiros superou a dos Estados Unidos: enquanto aqui 62% responderam corretamente sobre os beneficios de atualizar os aplicativos, nos EUA essa taxa ficou em 50%. Na pergunta sobre como armazenar senhas em segurança, 19% dos brasileiros deram respostas certas contra os 16% pontuados pelos entrevistados nos Estados Unidos.
- Os brasileiros são os que menos sabem sobre como golpes comuns são conduzidos usando tecnologia de IA, junto com os mexicanos.
- Além disso, o nível de entendimento dos brasileiros é um dos mais baixos em relação à importância de ler os termos de serviço dos apps e dos serviços online e de problemas de privacidade relacionados a dispositivos conectados à Internet.
- Outro ponto importante é que, entre os 3 países da América Latina com mais relevância no teste global, o Brasil é o com a menor taxa de respostas corretas sobre o que fazer após receber um e-mail inesperado de um banco notificando sobre um saque.
- Apesar da pequena queda no número de brasileiros que se enquadram no perfil cibernético de Cyber Stars, houve um aumento significativo no número que forma o perfil de Cyber Tourists, além da própria média global.
- Em termos globais, o nível de consciência sobre quais dados sensíveis não devem ser compartilhados nas mídias sociais continuou o mesmo. Mas ele aumentou significativamente entre os brasileiros.
- O nível de respostas certas entre os brasileiros caiu em perguntas como o que fazer depois de receber a notificação que um dispositivo desconhecido tentou logar no e-mail, como cibercriminosos criam URLs fakes que parecem reais e como identificar sites de phishing.
- As melhores pontuações dos brasileiros estão nos seguintes temas: como criar uma senha forte (96%), como lidar com ofertas suspeitas de serviços de streaming (94%), quais dados sensíveis devem ser compartilhados com os apps através das permissões (93%), quais os riscos de salvar os detalhes do cartão de crédito nos navegadores (86%) e quais dados sensíveis deve-se evitar compartilhar nas redes sociais (86%).
- Do outro lado, os temas com menores taxas de respostas corretas foram esses: quais problemas de privacidade devem ser levados em consideração ao se usar ferramentas de IA no trabalho (11%), quais dados os provedores de Internet coletam como parte dos metadados (11%), como proteger a rede de Wi-Fi em casa (13%), onde armazenar senhas em segurança (19%) e quais ferramentas online protegem a privacidade digital (27%).
No geral, apesar da queda geral na pontuação de algumas áreas importantes, os brasileiros também tiveram melhorias consideráveis em outros aspectos da cibersegurança, o que mostra uma capacidade de aprendizagem e de adaptação às novas ameaças.
As personas cibernéticas no Brasil
O perfil cibernético predominante entre os brasileiros é o do Cyber Adventurer (61%, uma queda de 9 pontos em relação aos 70% registrados em 2024) e o perfil cibernético menos numeroso é o dos Cyber Wanderers (2%, um ponto percentual a mais do que o registrado em 2024). Houve um crescimento nas outras duas categorias de personas cibernéticas: os Cyber Tourists foram de 22% em 2024 para 29% em 2025 e os Cyber Stars saíram de 7% no ano passado para 8% em 2025.
As maiores mudanças desde 2024
2025 ainda não chegou ao fim, mas já dá para desenhar algumas mudanças interessantes em comparação com o ano anterior. Entre elas estão o nível de compreensão e de abordagem em relação às principais ciberameaças existentes.
Em relação ao que fazer ao receber uma notificação sobre um dispositivo desconhecido tentando fazer login no e-mail, a porcentagem de participantes que deram a resposta certa caiu de 87% para 82%. Sobre como os cibercriminosos criam URLs falsas que parecem legítimas, o percentual dos participantes que responderam corretamente caiu de 49% para 43%. Outra queda também aconteceu na pergunta sobre como identificar um site falso: em 2024, 34% deram a resposta certa, e em 2025 esse número caiu para apenas 27% dos participantes brasileiros.
Essas quedas em três perguntas essenciais que abordam as táticas mais usadas pelos cibercriminosos para fazer vítimas mostra uma queda significativa na compreensão do que são esses golpes e como reagir a eles e evitar danos.
Uma visão geral dos resultados globais
O Teste Nacional de Privacidade desse ano mostra que o nível de consciência sobre privacidade digital e cibersegurança está estável, mas infelizmente não melhorou. A pontuação global do NPT em 2025 é de 57 em 100, a mesma de 2024.
Os detalhes revelam um progresso misto. A pontuação da vida digital continua subindo lentamente na taxa de 1% ao ano, mostrando que as pessoas em geral estão lentamente melhorando os hábitos online diários. Mas, ao mesmo tempo, o nível de consciência digital e tolerância aos riscos digitais está declinando, o que sugere que os indivíduos podem ter rotinas melhores como gerenciar senhas e permissões de um jeito mais eficiente. Mas, ao mesmo tempo, elas estão menos preparadas para as ameaças que evoluem todos os dias.
Como nos anos anteriores, os participantes tiveram as melhores notas nas categorias de como criar senhas fortes (96% de respostas certas), como lidar com ofertas suspeitas de serviços de streaming (95%), conhecimento sobre quais dados devem ser compartilhados com os apps (94%) e compreensão sobre quais dados sensíveis não devem ser postados nas mídias sociais (90%). A maioria também conseguiu reconhecer como os dispositivos podem ser infectados com malware.
Os resultados mais fracos aparecem em temas e áreas mais recentes e mais técnicas. Só 6% dos participantes sabiam quais problemas de privacidade devem ser levados em consideração ao usar ferramentas de IA no trabalho, por exemplo. O conhecimento sobre o que os ISPs (provedores de Internet) coletam como parte dos metadados, como proteger a rede doméstica de Wi-Fi, onde armazenar senhas em segurança e quais ferramentas online protegem a privacidade também continuam muito baixos.
“A IA cresceu muito online, mas a base para manter a segurança não mudou. As pessoas estão ficando mais espertas e atentas para identificar golpes. Mas, mesmo assim, muitas delas ainda ignoram updates e usam as mesmas senhas, e essas pequenas brechas são exatamente o que os cibercriminosos usam”, afirma Marijus Briedis, CTO na NordVPN.
Ele ainda acrescenta: “O objetivo do teste é educar as pessoas ao redor do mundo sobre ciberameaças, oferecendo orientação clara e prática para reduzir riscos de fraudes, coleta de dados, monitoramento e outras ameaças online”.
A nível global, o quadro geral dos perfis cibernéticos não mudou muito desde 2024. Um em cada dez participantes se encaixa no perfil de Cyber Star. As pontuações mais altas vêm das pessoas na faixa etária entre 30-54 anos e aquelas que trabalham no ramo de TI. As pontuações mais baixas foram encontradas entre os estudantes, aposentados e pessoas que trabalham nos ramos de hospitalidade ou construção.
Se você quer saber qual seria sua pontuação, responda ao Teste Nacional de Privacidade e veja como está o seu nível de conhecimento. E, se você tem curiosidade sobre o quadro geral, confira os resultados globais de todos os países no relatório NPT de 2025.
As principais mudanças globais
Em comparação com o ano passado, há algumas mudanças que merecem destaque:
- Os golpes com IA estão sendo mais reconhecidos: o nível de compreensão aumentou 5 pontos percentuais (indo de 63% em 2024 a 68% em 2025). Agora, mais pessoas entendem como os cibercriminosos usam IA para enganar as vítimas, representando uma das melhorias mais significativas do ano.
- Ferramentas de privacidade ganham tração: o padrão de entendimento das ferramentas online que protegem a privacidade digital subiu de 27% em 2024 para 32% em 2025. Apesar de ainda ser um número baixo, esse aumento de 5 pontos mostra que o entendimento sobre soluções como VPNs, gerenciadores de senhas e serviços criptografados está melhorando, mesmo que lentamente.
- As permissões para apps são melhor entendidas agora: o nível de compreensão sobre quais dados devem ser compartilhados com os apps aumentou em 3 pontos, indo de 91% para 94%. Essa melhoria estável sugere que mais usuários estão aprendendo a limitar o acesso dos apps e proteger suas informações pessoais.
- As atualizações continuam sendo ignoradas: a taxa de conhecimento sobre os benefícios de segurança de se atualizar os apps assim que os updates saem caiu mais 2 pontos, indo de 56% para 54%. Essa queda confirma uma tendência, que é a de muitos usuários ainda subestimarem o papel das atualizações na prevenção contra hackers e para a correção de vulnerabilidades.
Metodologia
O Teste Nacional de Privacidade é uma pesquisa de acesso livre disponível para todos, online. Ela não usa cotas de idade, gênero ou origem social e não é uma representação nacional.
Em 2025, 30792 pessoas participaram do teste, um aumento significativo em relação às 25567 em 2024 e um pouco mais que as 30747 em 2023. Os números neste blog refletem as respostas coletadas até 31 de julho de 2024. Se os resultados no site do NPT forem levemente diferentes, isso ocorre porque mais pessoas podem ter respondido o teste desde então.