O que perguntámos e a quem
Todos os anos fazemos um inquérito para perceber como as pessoas utilizam as VPN e de que modo os seus hábitos se vão alterando ao longo do tempo. O inquérito mais recente contou com participantes de mais de uma dúzia de países, com respostas dos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália, o que nos permitiu analisar mais de perto alguns dos maiores mercados. Perguntámos se as pessoas utilizavam uma VPN, porquê e se tinham escolhido um serviço pago ou gratuito. O trabalho de campo para esta edição decorreu em agosto de 2025.
O principal motivo para a utilização de uma VPN em 2025: privacidade
As pessoas utilizam as VPN acima de tudo para proteger a sua privacidade digital. Na maioria dos mercados que analisámos, a proteção da privacidade dos dados e atividades online passou à frente da segurança do dispositivo e das contas como a principal causa para se usar uma VPN. Juntas, a privacidade e a segurança representam a maior fatia nos motivos para a escolha de uma VPN, ultrapassando em muito outras necessidades, como o acesso a conteúdos específicos. Nos EUA, 42% dos utilizadores de VPN encontram na privacidade o seu principal argumento, em comparação com 40% no Canadá, 39% no Reino Unido e 34% na Austrália.
Estes resultados mostram como a perceção das VPN tem evoluído. O que antes era considerado uma ferramenta de nicho é agora tido como uma forma credível de proteger os dados pessoais e minimizar a monitorização online. Para muitos utilizadores, as VPN tornaram-se uma ferramenta diária para assegurar a privacidade das suas atividades online.
Os serviços pagos estão a aumentar, mas as aplicações VPN gratuitas ainda detêm uma grande fatia do mercado
Há mais americanos a pagar pelos serviços VPN do que no ano passado: se, em 2024, os serviços pagos e gratuitos estavam empatados, com 43% de utilizadores cada, um ano depois a quota dos serviços pagos saltou para 52%, enquanto a dos serviços gratuitos se manteve praticamente inalterada, nos 42%. A adoção geral aumentou apenas um ponto percentual, de 30% para 31%, mas, dentro desse número, a sondagem mostra uma mudança de rumo significativa, na direção das VPN pagas.
Fora dos EUA, cerca de um terço dos utilizadores de VPN ainda prefere os serviços grátis. Em 2025, as VPN gratuitas representam 38% dos utilizadores do Reino Unido, 34% do Canadá e 35% da Austrália. Em contrapartida, as opções pagas totalizam 53% no Reino Unido e na Austrália e 54% no Canadá.
Torna-se claro que a tentação do “gratuito” ainda existe, mas também que há mais pessoas a achar que vale a pena pagar pela privacidade e segurança digitais.
Porque o “gratuito” lhe pode custar a privacidade
As VPN grátis continuam a ter de gerar receitas. Se o serviço não é cobrado, essas receitas podem ser obtidas através dos seus dados, da sua atenção ou de ambos – uma troca que costuma traduzir-se num nível mais baixo de segurança, funcionalidades limitadas ou em vendas agressivas. Sim, é possível obter um certo nível de proteção com uma VPN gratuita, mas com isso vem também:
- Exploração dos seus dados para lucro financeiro: muitas aplicações gratuitas monitorizam a utilização ou os padrões de navegação dos utilizadores para apresentarem anúncios ou sugestões, o que é o oposto de privacidade.
- Padrões de segurança mais fracos: alguns serviços gratuitos ignoram protocolos modernos, utilizam uma encriptação desatualizada ou não têm sigilo de encaminhamento perfeito (PFS), o que faz com que o seu tráfego seja mais fácil de intercetar e analisar.
- Recursos essenciais em falta: as políticas auditadas de ausência de registos, os servidores apenas com RAM e um kill switch de confiança não estão garantidos nos planos gratuitos. Se estiverem ausentes, bastam pequenas falhas para expor a sua atividade.
- Maior risco de vazamentos: as redes limitadas de servidores e a fraca conceção das aplicações aumentam a probabilidade de vazamentos de IP, DNS ou WebRTC. Ora, uma fuga deita desde logo por terra o objetivo da utilização de uma VPN.
- Limites de desempenho: os limites de dados estritos, as linhas lentas e os servidores sobrecarregados tornam as ligações pouco fiáveis. Muitas aplicações gratuitas incentivam-no a atualizar o seu plano, em vez de o protegerem desde o primeiro momento.
- Propriedade obscura: se um provedor esconde quem é o seu proprietário, onde está sediado ou como gere os seus dados, não poderá avaliar os incentivos que tem nem as respetivas obrigações legais.
Uma VPN segura deve apresentar as seguintes características: política auditada de ausência de registos, servidores apenas com RAM, protocolos modernos (WireGuard®, OpenVPN, IKEv2/IPSec), uma função segura de kill switch e a identificação clara da propriedade, aliada a políticas transparentes. Se um serviço não apresentar a maioria destas características, não deve merecer a sua confiança.
A oportunidade: muitos planeiam começar a usar uma VPN este ano
Entre os não utilizadores, a intenção de começar a utilizar uma VPN situa-se na casa dos 15% nos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália. É um grande grupo de utilizadores principiantes, que está prestes a escolher entre as opções de VPN grátis e pagas.
O principal atrativo de um serviço VPN é a privacidade e segurança que proporciona. Por isso, quando as pessoas procuram uma proteção mais forte para as suas atividades online, costumam optar por provedores que mostram como a oferecem — e não por aqueles que se limitam a dizer que “oferecem um serviço VPN”.
Como escolher a VPN certa
Antes de confiar os seus dados a uma aplicação VPN, deixe-se convencer pelas provas, não pelas promessas. Aplique estes três testes para fazer uma triagem rápida — se um serviço não passar em todos, continue à procura.
Teste 1: Prova de privacidade
Interessam-lhe provas, não slogans – o que implica uma política de ausência de registos que tenha sido avaliada de forma independente, servidores que funcionem apenas com RAM, para que os seus dados não sejam armazenados a longo prazo, e limites claros sobre as informações que as aplicações recolhem dos utilizadores.
O que procurar: verifique se as declarações de privacidade do provedor foram analisadas ou auditadas de forma independente por terceiros. Procure confirmação da infraestrutura “apenas RAM” ou “sem disco” e analise os dados que o serviço recolhe e se é possível desativar a telemetria.
Teste 2: Prova de segurança
Uma boa VPN deve utilizar protocolos modernos e encriptação forte para proteger o seu tráfego online. As atualizações regulares da aplicação são também fundamentais, uma vez que incluem correções de segurança e garantem que a aplicação acompanha as mudanças dos sistemas operativos. As proteções integradas, como o bloqueio de malware e de rastreadores ou um kill switch ao nível do sistema, adicionam uma camada extra de segurança.
O que procurar: abra a aplicação e confirme se suporta protocolos VPN modernos, como o WireGuard, o OpenVPN ou o IKEv2/IPSec. Verifique se existe um interruptor de emergência nas definições e certifique-se de que o provedor mantém as suas aplicações atualizadas e responde às perguntas de segurança que lhe são colocadas.
Teste 3: Prova de transparência
A confiança exige transparência. Deverá poder ver quem é o proprietário do serviço, onde está sediado e como responde aos pedidos de dados enviados pelas autoridades. Os provedores que se mostram recetivos a avaliações externas são os que levam a sério a sua responsabilidade.
O que procurar: visite a página “Sobre” para identificar a propriedade e a sede do provedor, leia o relatório de transparência para ver que pedidos recebe e como responde, e procure análises externas, como auditorias, recompensas por erros e até estudos independentes.
Interpretar os sinais
Além dos testes, há ainda o lado técnico — o perfil das funcionalidades, o histórico de atualizações e até pequenas escolhas de design — que pode influenciar a sua decisão. Entre os sinais positivos a procurar, contam-se a ofuscação de servidores, a divisão de tráfego e uma VPN dupla. Os guias de configuração claros e um serviço de apoio ao cliente ágil também são indícios fortes de que o provedor põe os utilizadores em primeiro lugar.
Já os sinais de alerta, como seria de esperar, apontam na direção oposta. Um serviço que ignora auditorias públicas ou relatórios de transparência pede-lhe que acredite cegamente nas suas promessas. As alegações de privacidade total devem igualmente fazê-lo hesitar, já que, uma vez online, a privacidade total torna-se inatingível. As empresas que ocultam quem são os seus proprietários ou onde estão sediadas são as mais difíceis de responsabilizar, devendo ser evitadas. E as aplicações VPN que pedem permissões desnecessárias colocam riscos que não deve correr.
Metodologia de pesquisa
O inquérito foi realizado em agosto de 2025, por agências externas, em nome da NordVPN. A amostra incluiu cerca de 1000 residentes por país, com alguns mercados ligeiramente abaixo desse número. Os inquiridos eram utilizadores da internet com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos, com quotas por idade, género e região para garantir uma amostra representativa a nível nacional.
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