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Qual a diferença entre IPv4 e IPv6?

Toda a gente sabe o que é o endereço de IP e a sua importância. Ao identificar um computador ou smartphone perante a internet, o IP é um verdadeiro “Cartão de Cidadão” que permite identificar o seu utilizador. Simultaneamente, é um conceito que facilita a comunicação entre computadores, e a internet não seria imaginável sem ele. O desenvolvimento da Internet das Coisas tem aumentado o número de aparelhos computadorizados (aspiradores, frigoríficos, alarmes, etc.) que precisam de se ligar à rede. Já se fez a pergunta: “Qual é o meu endereço IP?” É muito fácil descobrir.

Laura Klusaite

Laura Klusaite

Nov 18, 2020 · Leitura de 4 min

Qual a diferença entre IPv4 e IPv6?

Já a diferença entre um endereço de IPv4 e IPv6 não é tão evidente. Porque existem dois tipos de endereços de IP? A resposta é simples: o sistema de endereços de IPv4 é finito, e o crescimento exponencial da internet obrigou à criação de um novo protocolo. Mas será o novo IPv6 melhor que o anterior? Vejamos as principais diferenças entre ambos.

O que é o IPv4?

O protocolo IPv4 foi o quarto protocolo de endereços de IP para a internet. Foi desenvolvido no início dos anos 80 pela DARPA (“Defense Advanced Research Projects Agency”), a agência de pesquisa e desenvolvimento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O conceito envolvia endereços numéricos de 32-bit, capazes de gerar cerca de 4,3 biliões de endereços únicos.

À data, parecia suficiente para as necessidades do sistema. Porém, a criação da World Wide Web trouxe uma “explosão” dessas necessidades, com milhões e milhões de novos computadores, o que levou à investigação e pesquisa de novos protocolos.

O que é o IPv6?

Em 1995, foi apresentado o sexto protocolo de endereços para a internet. Um endereço IPv6 é constituído por 128-bits, praticamente resolvendo a necessidade de endereços únicos. Permite constituir 340.282.366.920.938.000.000.000.000.000.000.000.000, isto é, 340 undeciliões de endereços de IP.

Todavia, mais de duas décadas depois da sua apresentação, o IPv4 ainda não foi abandonado. Existem duas grandes razões para tal.

Ausência de compatibilidade

Se um site “correr” em IPv4, mas o aparelho do utilizador e o seu fornecedor de serviços de internet usarem o IPv6, não será possível visitar o site. Seria necessária compatibilidade com ambos os protocolos para tal acontecer. E embora a maior parte dos routers e aparelhos eletrónicos modernos suportem o IPv6, será necessário que os fornecedores de serviços de internet, sistemas operativos, etc., suportem ambos os protocolos por algum tempo para evitar cortes e suspensões. E isso é dispendioso.

Benefícios só a longo prazo e em termos gerais

Será importante migrar para a nova tecnologia quando o esgotamento de endereços de IPv4 se tornar evidente. Até lá, não existe um benefício direto e discernível para os utilizadores, pelo que as empresas hesitam em investir.

A rapariga tem um telemóvel com endereço ipv6

Quais as grandes diferenças entre IPv4 e IPv6?

Mais segurança

Um dos componentes dos endereços IPv4, o Internet Control Message Protocol (ICMP), pode transportar malware, e é frequentemente bloqueado pelas principais firewalls do mercado. O ICMP do protocolo IPv6 resolve este problema permitindo a utilização do conjunto de protocolos IPSec (Internet Protocol Security).

Sem limitações geográficas

O protocolo IPv4 foi criado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, pagas pelos contribuintes norte-americanos, antes de se pensar em criar uma rede mundial e aberta de computadores. É compreensível que cerca de metade dos endereços de IPv4 tenham sido reservados para os Estados Unidos no momento da sua implementação.

Já o IPv6, criado com a World Wide Web em mente, está disponível de forma equitativa para todas as partes do mundo.

Routing mais eficiente

Uma das diferenças técnicas IPv4 vs IPv6 mais notórias tem a ver com os cabeçalhos (headers). Enquanto os “headers” IPv4 são variáveis, os IPv6 são consistentes. O código para o redirecionamento (routing) dos novos endereços será mais simples; será necessária menos capacidade de processamento e de hardware. A experiência do utilizador tenderá a ser mais fácil e rápida.

Conectividade IPv6 sem intermediários

Para resolver o problema da escassez de endereços de IP, criou-se um “remendo”: o NAT (Network Address Translation). O sistema envolve a tradução de IP privados em IP públicos e envolve algumas questões de segurança e vulnerabilidade. Com o IPv6, o NAT tornar-se-á desnecessário e obsoleto. Será mais um passo para uma internet ligeiramente mais rápida e claramente mais segura.

Autoconfiguração

A autoconfiguração é uma das melhores características do novo protocolo. Para obterem um endereço IPv4, os computadores e dispositivos precisam de se ligar a um servidor. Ao invés, no protocolo IPv6 o endereço IP é gerado através do endereço MAC (“MAC address”), que é único e exclusivo para cada aparelho. É mais fácil a dois dispositivos encontrarem-se mutuamente e comunicarem através do novo protocolo.

IPv4 e IPv6: qual o mais rápido?

A prestigiada empresa de cibersegurança Sucuri realizou testes comparativos entre IPv4 e IPv6. Contudo, não se registaram diferenças significativas; em determinadas circunstâncias, o IPv6 foi até alguns milissegundos mais lentos que o protocolo antigo. Embora tal não seja percetível pelo utilizador, e apesar de a localização do utilizador e do servidor continuarem a condicionar a velocidade das ligações, não se registou uma melhoria como se esperava.

IPv6 e VPNs

A maioria das VPNs funciona em IPv4. Se o utilizador de uma destas VPNs tentar aceder a um site que corra em IPv6, a VPN poderá fazer como Pôncio Pilatos. A ligação será encaminhada para um servidor de DNS IPv6, o tráfego sairá do “túnel” seguro da VPN, ficando visível para terceiros, e a empresa “lavará as mãos” do assunto. Seria fundamental proceder a um teste de revelação de DNS para garantir que não há uma fuga de DNS que exponha totalmente o endereço de IP e a localização.

Para evitar esta situação, a NordVPN oferece proteção contra fugas de DNS. Parte da solução envolve desativar a maior parte do tráfego IPv6, mas a NordVPN planeia suportar o novo protocolo no futuro.