O que é threat intelligence?
A inteligência de ciberameaças é formada por dados coletados e analisados sobre ciberameaças atuais ou em potencial. Ela transforma sinais de segurança em orientações práticas, ajudando as organizações a entender quais ataques elas podem enfrentar, quem pode executá-los e como eles podem ocorrer. E elas também ajudam sobre como esses riscos podem ser reduzidos.
A inteligência de ameaças faz muito mais do que listar endereços de IP suspeitos, nomes de malware ou relatórios de ataques. Ela também explica quem ou o quê pode ser atacado, por quais motivos as ameaças são relevantes e quais ações podem reduzir riscos. Uma equipe de segurança, por exemplo, pode precisar saber se uma campanha de phishing pode atacar determinado público.
Por que a cyber threat intelligence é importante?
A inteligência de ciberameaças ajuda as organizações a se preparar para futuros ataques ao invés de só agir de modo reativo depois que o dano já aconteceu. Ela pode ajudar na identificação rápida, na clareza nas prioridades, na análise mais rápida e no direcionamento mais inteligente dos orçamentos de segurança.
- Defesas praativas. A inteligência de ameaças pode revelar padrões em campanhas de phishing, atividade de malware, exposição de credenciais ou comportamentos de ataques antes mesmo de isso tudo se transformar em danos sérios. Quando as equipes de segurança sabem com o que estão lidando, elas podem melhorar as defesas e reduzir pontos fracos mais rápido.
- Contexto aprimorado. Um alerta de segurança por si só pode mostrar que algo estranho aconteceu. Mas a inteligência de ameaças pode explicar quem pode estar por trás do ataque contra uma organização, como ataques parecidos aconteceram antes e como esses riscos surgem em um cenário de ameaças mais amplo. Um panorama maior das ciberameaças que afetam uma empresa, indústria ou região.
- Investigações mais rápidas. Quando os analistas sabem quais são os indicadores, táticas e padrões de ataques mais relevantes, eles podem priorizar alertas de alto risco ao invés de ter que lidar com cada sinal individualmente do mesmo jeito. Isso ajuda as equipes a reduzir falsos positivos e focar nas ameaças que têm mais chances de causar danos.
- Redução de custos. Evitar vazamentos, bloquear um domínio malicioso conhecido ou identificar um ataque mais cedo geralmente custa muito menos do que ter que lidar com perda de dados, atraso nas respostas, exposição legal e recuperação de prejuízos. Se usada junto com o monitoramento de ciberameaças, a threat intelligence ajuda as equipes a tomar decisões de segurança com mais embasamento e mais rapidez.
Tipos de threat intelligence
As equipes de segurança geralmente agrupam a inteligência de ameaças pelo tipo de decisão que elas apoiam. Você pode pensar na threat intelligence em cinco categorias práticas: estratégica, tática, operacional, técnica e contextual.
Threat intelligence estratégica
A inteligência de ameaças estratégica dá aos líderes um nível de visão bem amplo sobre os riscos cibernéticos, as motivações dos ataques e as tendências de longo prazo. Ela ajuda na tomada de decisões e na compreensão sobre problemas como ransomware, vazamentos de dados, novas regulamentações e até sobre atores a nível de Estado-nação (como grupos de hackers ligados a governos) podem afetar orçamentos, políticas e prioridades de segurança de longo prazo.
Threat intelligence tática
A inteligência de ameaças tática foca em técnicas, táticas e procedimentos que os agentes nocivos usam. Elas podem mostrar vetores de ataques comuns, as rotas e métodos que os agentes nocivos usam para atingir um alvo como e-mails de phishing, exploração de vulnerabilidades de segurança, contas comprometidas ou tráfego suspeito que pode indicar operações de botnet. As equipes de segurança podem usar essas informações para ajustar regras de detecção, fortalecer defesas e treinar funcionários para reconehcer atividades suspeitas.
Threat intelligence operacional
A inteligência de ameaças do tipo operacional foca em ataques planejados, recorrentes ou recentes e ajuda as equipes a entender quem pode estar por trás de um ataque, quais seus alvos, quando e como podem agir e quais sistemas e usuários podem ser afetados. Essa inteligência muitas vezes surge do monitoramento das atividades de um agente nocivo, dados vazados, fóruns ocultos de cibercrime ou mensagens compartilhadas pelos cibercriminosos.
Threat intelligence técnica
A inteligência técnica de ameaças envolve analisar pistas técnicas que podem mostrar como um ataque aconteceu ou como poderia acontecer, como endereços suspeitos de IP, domínios maliciosos, hashes de arquivos, exploits identificados e padrões de ataques. As equipes de segurança usam essas informações para melhorar as regras de detecção, listas de bloqueios e outras ferramentas de cibersegurança.
Threat intelligence contextual
A inteligência contextual de ameaças foca nas circusntâncias de um setor, organização ou grupo de usuários em particular. Agências de governo podem focar mais nas atividades cibernéticas a nível de Estado-nação, enquanto empresas de varejo ou de artigos de luxo podem prestar mais atenção em golpes que usam suas marcas, fruades e sites fakes, além de golpes contra seus consumidores.
O ciclo de vida da threat intelligence
O ciclo de vida da threat intelligence consiste em transformar dados brutos em inteligência útil. As equipes usam essas informações para definir prioridades, coletar e preparar dados, analisar as descobertas, compartilhar conclusões e melhorar projetos futuros através do feedback.
1. Direção
As equipes definem quais ameaças, ativos, sistemas ou riscos de negócios elas precisam entender. Elas também podem levar em consideração ameaças internas, como riscos de funcionários, contratados, parceiros ou outras pessoas com acesso legítimo e daí decidir quais informações devem amparar decisões de segurança melhores.
2. Coleta de dados
Depois de o objetivo ficar claro, as equipes coletam dados de inteligência de ameaças e fontes externas. Isso pode incluir registros internos de segurança, alertas de endpoint, atividades de rede, relatórios de vulnerabilidade, fontes da dark web, bancos de dados de malware e inteligência open-source, informações disponíveis publicamente coletadas dos sites, fóruns e mídias sociais e registros públicos, além de outras fontes acessíveis.
3. Processamento
Os dados brutos muitas vezes chegam em diferentes formatos e com níveis de confiabilidade muito diferentes. Durante o processamento, as equipes limpam, organizam, filtram, removem duplicações e estruturam os dados para que os analistas possam comparar indicadores relatados e preparar os dados para análise.
4. Análise
Os analistas buscam por padrões, conexões e significados por trás dos dados coletados. Esse estágio também pode apoiar o threat modeling (modelamento de ameaças), que mapeia como os agentes nocivos podem atacar um sistema e quais defesas podem reduzir esses riscos.
5. Disseminação
As equipes compartilham a inteligência finalizada com as pessoas que precisam desses dados. As equipes de operação de segurança podem precisar dos domínios maliciosos ou endereços de IP suspeitos para agir, quem responde aos incidentes pode precisar dos dados de orientação de contenção e os executivos podem precisar de um resumo bem claro sobre os riscos de negócio e as ações recomendadas.
6. Feedback
As equipes verificam se os dados de inteligência responderam as perguntas originais, se ajudaram na priorização de tarefas e se melhoraram os resultados de segurança. O feedback ajuda a refinar futuras solicitações, recursos, ferramentas e métodos de informação.
Ferramentas e plataformas de threat intelligence
As equipes de segurança usam as ferramentas de inteligência de ameaças para coletar dados, compará-los com as ameaças já conhecidas e transformar alertas em relatórios. Algumas ferramentas focam em uma tarefa, enquanto uma plataforma de threat intelligence (ou TIP) traz feeds sobre ameaças, pistas suspeitas, contextos adicionados e relatórios tudo em um só lugar.
Feeds de threat intelligence
Os feeds de inteligência de ameaças são fluxos automatizados de dados sobre ameaças que as ferramentas de segurança podem usar. Eles geralmente incluem indicadores de comprometimento, ou IoCs — sinais que podem apontar para atividade maliciosa. Exemplos incluem endereços IP suspeitos, domínios de phishing, hashes de arquivos ligados a malware, que são impressões digitais únicas de arquivos, e URLs associadas a golpes ou páginas falsas de login.
Os feeds podem ser de código aberto ou comerciais. Os feeds de código aberto normalmente são gratuitos e podem ajudar as equipes a monitorar ameaças comuns, mas podem exigir mais revisão manual. Os feeds comerciais geralmente acrescentam contexto, filtragem e suporte, como a origem de um indicador e o nível de urgência com que a equipe deve responder.
Os feeds são úteis, mas não bastam por si só. Uma longa lista de domínios ou endereços IP suspeitos pode gerar ruído se ninguém verificar se os dados são relevantes. As ferramentas certas ajudam as equipes a comparar os dados dos feeds com seus próprios sistemas, remover duplicatas e focar nas ameaças mais importantes.
Threat intelligence amparada por IA
A threat intelligence movida por IA usa a inteligência artificial e aprendizagem de máquina para processar grandes quantidades de dados de segurança com mais velocidade. O aprendizado de máquina significa que o software pode identificar padrões de dados e melhorar a identificação com o tempo. Na inteligência de ameaças, isso pode ajudar a identificar comportamentos incomuns, conectar eventos entre si e ressaltar riscos que podem passar desapercebidos durante análises manuais.
A IA também pode ajudar na detecção de fraude ao buscar por atividades que não são compatíveis com o comportamento convencional de um usuário. Por exemplo, ela pode sinalizar padrões de login estranhos, tentativas suspeitas de transações ou acessos repetitivos vindos de localizações perigosas. Esses sinais podem ajudar as equipes de segurança a investigar possíveis roubos de contas antes que eles possam causar mais danos.
Mas a inteligência de ameaças amparada por IA não substitui a análise humana. Ela pode processar dados mais rápido, mas os analistas humanos ainda precisam verificar contexto, remover falsos positivos e decidir quais ações fazem mais sentido. Se usada de uma forma positiva, a deteção de ameaças com IA ajuda as equipes a agir com mais rapidez sem ter que lidar com cada sinal suspeito individualmente como se todos fossem ataques confirmados.
Como a NordVPN usa a threat intelligence
A inteligência de ameaças não é usada apenas em relatórios de segurança ou ferramentas corporativas. Ela também pode ajudar a apoiar funcionalidades de proteção que te ajudam enquanto você navega, baixa arquivos, abre links ou se conecta a uma VPN.
A NordVPN usa a inteligência de ameaças para ajudar a identificar sites maliciosos, páginas de phishing, domínios de golpes, malware e rastreadores. Esses sinais ajudam o antivírus de última geração da NordVPN a identificar golpes, phishing e malware, auxiliando os usuários com alertas sobre páginas perigosas, verificando downloads antes de qualquer malware atingir os dispositivos.
A NordVPN também usa a inteligência de ameaças para informar a segurança da VPN ao analisar ataques em potencial em comparação com usuários individuais e um serviço como um todo.
Além disso, a NordVPN também compartilha dados de threat intelligence para te ajudar a manter sua segurança online. Se você tem interesse em saber mais sobre as principais ciberameaças e aquelas que estão surgindo no cenário digital, dê uma olhada no glossário de cibersegurança da NordVPN e no Threat Center. Saber mais sobre as ameaças que existem e as novas tendências te ajuda a identificar phishing, malware, golpes e sites perigosos antes de sofrer com qualquer dano e prejuízo.
Quem se beneficia com a threat intelligence?
A inteligência de ameaças muitas vezes é associada a grandes organizações, mas também pode ajudar as ferramentas que você usa todos os dias. Informações claras sobre comportamentos de ataques, atividades perigosas e ameaças emergentes ajudam equipes de segurança, líderes, analistas e usuários individuais a reduzir riscos.
- Análise de inteligência de ameaças. Um analista de threat intelligence ou de ciberameaças monitora dados, estuda campanhas de ataques, revisa indicadores suspeitos e transforma descobertas em relatórios. O trabalho deles ajuda as equipes de segurança a entender o que acontece, quem pode estar por trás de um ataque e quais medidas devem ser tomadas.
- Equipes de segurança e operadores de SOC. Um SOC (sigla para security operations center, ou centro de operações de segurança) monitora os sistemas de uma organização para identificar ataques em potencial. A inteligência de ameaças ajuda essas equipes a priorizar alertas, reduzir falsos positivos e focar nas atividades que têm mais probabilidade de colocar sistemas, dados e usuários em risoc.
- Executivos e tomadores de decisões. A inteligência estratégica ajuda os líderes a entender quais ameaças podem afetar a organização, o nível de seriedade de um risco e quando os recursos de segurança são mais necessários. Isso ajuda nas tomadas de decisão sobre orçamentos, políticas, ferramentas e gerenciamento de risco de longo prazo.
- Você. Mesmo que você não leia relatórios de ameaças nem revise domínios suspeitos por conta própria, a inteligência de ameaças ainda pode ajudar nas ferramentas que você usa, como funcionalidades de segurança que te alertam sobre páginas de phishing, sites de golpes, downloads nocivos e outros riscos antes que eles te causem qualquer tipo de dano.
Threat intelligence em ação: exemplos do mundo real
É mais fácil entender a inteligência de ameaças quando você vê o trabalho dela na prática. O processo exato depende da organização, mas o objetivo geralmente é um só: identificar ameaças relevantes com antecedência, entender o que elas significam e reagir antes que elas causem mais danos.
- Monitoramento de atores de campanhas APT. Equipes de segurança podem usar threat intelligence para monitorar ameaças avançadas persistentes (ou APT), um ataque de longo prazo com alvo definido muitas vezes executado por grupos bem estruturados. Ao conectar e-mails de phishing, domínios maliciosos, comportamento de malware e técnicas de ataques, os analistas podem identificar atividades relacionadas e alertar organizações que podem estar em risco.
- Bloqueio de atividades maliciosas conhecidas. A inteligência de ameaças pode ajudar as ferramentas de segurança a bloquear endereços de IP maliciosos que já são conhecidos, domínios, hashes de arquivos e URLs. Se um domínio estiver conectado a um phishing ou malware, essa informação pode ajudar a alertar usuários ou bloquear acessos antes que os ataques afetem as pessoas.
- Compartilhamento de inteligência entre diversas indústrias. As organizações podem compartilhar a inteligência de ameaças através de grupos de confiança, redes de indústrias e parcerias de segurança. Se uma empresa identifica uma nova campanha de phishing, ataque de malware ou padrão suspeito de acesso, compartilhar essas informações pode ajudar outras pessoas a se preparar antes que elas sejam afetadas por esses ataques.
Como se proteger das ciberameaças
Você não precisa analisar os relatórios de threat intelligence por conta própria para se beneficiar deles. Alguns hábitos práticos e ferramentas de segurança podem te ajudar a evitar ameaças comuns e reduzir os danos que um ataque pode causar.
- Informe-se sobre as ameaças atuais. Acompanhar os updates de cibsersegurança e de threat intelligence pode te ajudar a reconhecer novos golpes, táticas de phishing e campanhas de malware. Foque nas ameaças que podem afetar os dispositivos, contas e serviços que você usa.
- Use ferramentas com detecção de ameaças built-in. O antivírus de última geração da NordVPN ajuda a identificar downloads maliciosos e bloquear golpes e sites de phishing. Essas proteções usam os dados de ameaças em segundo plano, então você pode aproveitar as pesquisas de segurança sem precisar revisar indicadores técnicos por conta própria.
- Mantenha seu software atualizado. Os updates corrigem vulnerabilidades de segurança que os cibercriminosos podem usar. Atualize seu sistema operacional, navegadores, apps e ferramentas de segurança com frequência para reduzir seus riscos de sofrer com ataques nos dispositivos, contas e serviços que podem ser atingidos.
- Tome cuidado com mensagens inesperadas e links estranhos. As mensagens de phishing muitas vezes criam um senso de urgência ou imitam organizações confiáveis para persuadir as vítimas a compartilhar informações sensíveis. Verifique o destinatário e o destino antes de tomar qualquer ação.
- Use uma VPN em redes que não são confiáveis. Uma VPN criptografa a conexão entre o seu dispositivo e o servidor VPN. Isso ajuda a proteger seu tráfego na rede local e altera o endereço de IP visível para os sites quando você usa redes públicas de Wi-Fi ou outras redes que não são confiáveis.
Ajuda a bloquear as ameaças antes de elas chegarem ao seu dispositivo.
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