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Teste Nacional de Privacidade: participantes portugueses perto do topo da tabela

O Teste Nacional de Privacidade é um inquérito global que avalia a conscientização sobre questões de cibersegurança e privacidade digital de pessoas de todo o mundo. Os resultados deste ano mostram que os participantes portugueses continuam a perder terreno para outros países, embora ainda ocupem uma sexta posição digna no ranking mundial, com resultados que não se afastam da média de todos os participantes. Analisemos esses resultados mais a fundo.

16 de set. de 2025

11 mín. de leitura

Teste Nacional de Privacidade: como ficou Portugal?

Sobre o Teste Nacional de Privacidade

O Teste Nacional de Privacidade (TNP) é um inquérito internacional que se destina a avaliar a compreensão do público quanto a assuntos de segurança na internet e privacidade online. O teste inclui 22 perguntas, que se dividem em três categorias: hábitos digitais diários, consciência sobre privacidade e ameaças de cibersegurança.

Este ano, mais de 30 000 pessoas, oriundas de 185 países, fizeram o teste para avaliar os seus hábitos de higiene cibernética. Para facilitar as comparações globais, a nossa análise debruça-se sobre os 31 países que enviaram o maior número de respostas, cada um com pelo menos 100 participantes. Esta metodologia revela não só a pontuação dos participantes, mas também as diferenças entre os países em termos de conhecimentos de segurança online.

A pontuação de cada país no Teste Nacional de Privacidade (TNP) baseia-se no desempenho dos participantes nacionais nas três categorias – participantes esses que são também distribuídos por quatro “personagens cibernéticas” distintas, que refletem o seu nível de consciência de cibersegurança, do mais baixo para o mais alto.

Antes de analisarmos os resultados deste ano, vejamos como são calculadas as pontuações do TNP e o que significam as personagens cibernéticas.

Como calculamos as pontuações

A pontuação final do Teste Nacional de Privacidade mostra os conhecimentos dos participantes em matéria de cibersegurança e privacidade online. Para a calcular, analisamos três áreas distintas:

  • Vida digital diária: como as pessoas lidam com as suas informações, como palavras-passe, atualizações de aplicações, partilha de dados e permissões dadas às aplicações.
  • Consciência de privacidade: até que ponto reconhecem riscos como fraudes, tentativas de phishing ou como as empresas recolhem dados pessoais.
  • Tolerância ao risco digital: os cuidados que tomam quando se deparam com situações de risco online.

O teste tem 22 perguntas, cada uma das quais vale 4,5% da pontuação total, que é calculada obtendo-se a média das pontuações das três categorias. Quanto mais respostas certas uma pessoa tiver em cada categoria, maior será a sua pontuação final no TNP.

O que são as personagens cibernéticas?

Para tornar os resultados mais fáceis de compreender, todas as pessoas que fazem o teste são identificadas com uma de quatro “personagens cibernéticas”, que representam um determinado nível de conhecimento e consciência:

  • Nómada cibernético (1-24%): os nómadas cibernéticos percebem pouco de segurança online. Não costumam saber como proteger as suas contas, dispositivos ou dados.
  • Ciberturista (25-49%): os ciberturistas são um pouco mais conhecedores, mas continuam a cometer erros básicos. Podem reconhecer algumas ameaças, mas não sabem como lidar com elas.
  • Ciberaventureiro (50-74%): os ciberaventureiros compreendem a maioria das questões relacionadas com privacidade e segurança no dia a dia. Sabem como se proteger em muitas situações, mas ainda têm margem de melhoria.
  • Estrela cibernética (75-100%): as estrelas cibernéticas são as mais informadas. São altamente conscientes dos riscos que estão à espreita online, sabem o que fazer para proteger os seus dados e seguem hábitos digitais seguros.

O que dizem os números?

Em 2025, os participantes portugueses ficaram em 6.º lugar no ranking mundial, em simultâneo com os Países Baixos e a Nova Zelândia, o que representa uma queda de uma posição em relação ao último ano, em que se classificaram em 5.º lugar. Destacando-se como o país do Sul da Europa com melhores resultados, Portugal mostrou um conhecimento inferior à média sobre as estratégias que os cibercriminosos utilizam para fazer com que URL falsos pareçam verdadeiros.

Resultados do Teste Nacional de Privacidade de Portugal

Principais conclusões

O Teste Nacional de Privacidade de 2025 mostra que os participantes portugueses continuam a ter um dos melhores desempenhos a nível mundial, embora venham descendo na tabela desde o ano de 2023. Os seus resultados seguem de perto a média de todos os participantes, não apresentando um grande desvio em relação aos anos anteriores:

  • Portugal obteve uma pontuação total de 57, igual à média global. Os hábitos digitais diários (53) e o risco digital (67) diminuíram ligeiramente em relação ao ano passado, enquanto a pontuação de consciência da privacidade se manteve inalterada, nos 52%. Mesmo com a ligeira queda observada, Portugal obteve uma das melhores pontuações mundiais na tolerância ao risco digital.
  • Em termos de destaques positivos, 97% dos participantes sabem como criar palavras-passe fortes e 95% sabem como lidar com ofertas suspeitas de serviços de streaming, seguindo-se 93% que mostram à-vontade na gestão de permissões dadas às aplicações. Um número significativo de participantes conhece igualmente os riscos de se guardar os dados de cartões de crédito no navegador (92%) e como os dispositivos são infetados com malware (90%).
  • As pontuações mais baixas dizem respeito aos dados que os provedores de internet recolhem como parte dos metadados, que apenas 12% conseguiram explicar; às medidas de proteção da rede wi-fi doméstica (16%) e onde armazenar as palavras-passe com segurança (23%) – uma queda de quatro pontos percentuais em relação a 2024. Estas debilidades referem-se a aspetos simples, mas que podem criar graves lacunas em termos de proteção.
  • De notar ainda que apenas 9% dos inquiridos portugueses mostram compreender as questões de privacidade relacionadas com a utilização da IA para trabalhar – um número que, apesar de superior à média global (de apenas 6%), evidencia como a consciência do público tem dificuldade em acompanhar o ritmo dos avanços tecnológicos.

De um modo geral, os resultados dos participantes mostram que têm uma boa desenvoltura em lidar com as informações pessoais que partilham online e, mais especificamente, que sabem o que fazer quando são informados de que um dispositivo desconhecido tentou iniciar sessão nas suas contas de e-mail, continuando a superar a maioria dos países. No entanto, foram mais fracos do que a média nas medidas a seguir se receberem um e-mail inesperado do banco, informando-os de que foi feito um levantamento das suas contas – uma questão em que não revelam melhorias em relação ao ano passado.

Resultados dos participantes portugueses

Personagens cibernéticas em Portugal

Em comparação com o ano anterior, Portugal tem um número semelhante de Estrelas cibernéticas, mais Ciberaventureiros e menos Ciberturistas, acompanhando a média global. A maioria dos Portugueses (70%) são Ciberaventureiros, mostrando conhecimentos sólidos, mas não especializados de cibersegurança. Os Ciberturistas representam 20% do total, enquanto apenas 1% dos inquiridos são Nómadas cibernéticos — uma das percentagens mais baixas em termos mundiais.

Principais mudanças desde 2024

Um ano é pouco para verificar alterações nos hábitos de segurança digital, mas há pequenas mudanças que fazem a diferença. No caso de Portugal, os resultados de 2025 revelam tanto avanços como recuos nas áreas abarcadas pelo teste.

Em comparação com 2024, a pontuação de risco digital caiu 1 ponto percentual (de 54 para 53), tal como os hábitos digitais diários e os conhecimentos gerais testados, que desceram de 58 para 57. A consciência sobre privacidade (52) foi a única área que não sofreu alterações. Embora estas mudanças não sejam significativas, mostram uma ligeira queda em relação ao ano anterior, que se torna ainda mais expressiva se tivermos em conta os resultados de 2023.

No entanto, os resultados também denunciam alguns aspetos positivos, a saber: que os Portugueses estão mais familiarizados com as ferramentas de proteção da privacidade digital – uma percentagem que passou dos 28% no ano passado para os 35% deste ano. Mostram-se também informados sobre algumas das burlas mais comuns utilizadas através da tecnologia de IA, com 65% de respostas acertadas este ano, em comparação com as 59% do último passado.

Houve, porém, uma tendência inversa: as estratégias a que os cibercriminosos recorrem para fazer com que URL falsos pareçam verdadeiros, o que indica que, embora os Portugueses estejam mais atentos às ameaças potenciais da IA, há riscos de burla que ainda desconhecem.

Panorâmica dos resultados globais

O Teste Nacional de Privacidade deste ano mostra que a consciência global sobre privacidade e cibersegurança se tem mantido, sem registo de melhorias. A pontuação mundial do TNP em 2025 foi de 57 em 100 – a mesma do ano passado. 

Os detalhes revelam uma evolução desigual. A pontuação em termos de hábitos digitais diários tem subido cerca de um ponto percentual por ano, mostrando que as pessoas estão lentamente a melhorar os seus hábitos online. Ao mesmo tempo, porém, a consciência sobre privacidade e a tolerância ao risco digital estão a baixar, o que sugere que, embora os indivíduos possam estar a melhorar nas rotinas de gestão de palavras-passe ou nas permissões que dão às aplicações, estão menos preparados para as ameaças emergentes.

Tal como nos anos anteriores, os participantes tiveram melhor desempenho nas práticas básicas: criar palavras-passe fortes (96% de respostas certas), como lidar com ofertas suspeitas de serviços de streaming (95%), que dados partilhar com as aplicações (94%) e na compreensão dos dados sensíveis que não devem publicar nas redes sociais (90%). Muitos também reconheceram como os dispositivos podem ser infetados com malware.

Os resultados mais fracos deram-se em áreas mais recentes e com maior incidência técnica. Por exemplo, apenas 6% dos participantes sabiam que questões de privacidade devem ser consideradas ao utilizar a IA para trabalhar. O conhecimento sobre as informações que os provedores de serviços recolhem como parte dos metadados, como proteger a rede wi-fi doméstica, onde armazenar as palavras-passe de modo seguro e que ferramentas online utilizar para a proteção da privacidade também se manteve bastante baixo.

“A IA veio criar mais riscos online, mas os princípios de segurança básicos não mudaram. As pessoas estão mais preparadas para identificar burlas, mas muitas continuam a ignorar as atualizações ou a reutilizar palavras-passe, e são precisamente essas pequenas falhas que os criminosos exploram”, diz Marijus Briedis, diretor de tecnologia (CTO) da NordVPN.

Acrescenta ainda: “O teste tem como objetivo educar as pessoas de todo o mundo sobre as ameaças cibernéticas e dar orientações claras e práticas sobre como reduzir os riscos de fraude, recolha de dados, vigilância e outras ameaças online.”

Em termos globais, o panorama das personagens cibernéticas não mudou desde 2024: um em cada dez participantes é uma Estrela cibernética. As pontuações mais elevadas vieram de pessoas entre os 30 e os 54 anos e que trabalham na área de TI. As pontuações mais baixas registaram-se entre os grupos de estudantes, reformados e pessoas empregadas nos setores de hotelaria ou da construção civil.

Acha que conseguia fazer melhor? Responda ao Teste Nacional de Privacidade e avalie os seus conhecimentos. E, se tiver curiosidade em espreitar o panorama global, veja os resultados de todos os países no relatório TNP de 2025.

Resumo global

As maiores mudanças globais

Em comparação com o ano passado, há algumas mudanças que se destacam:

  • As fraudes cometidas com recurso à IA são mais facilmente identificadas: a conscientização aumentou cinco pontos percentuais (de 63%, em 2024, para 68%, em 2025). Há mais pessoas que sabem como os cibercriminosos utilizam a IA para enganar as vítimas, o que faz com que esta seja uma das melhorias mais significativas do ano.
  • As ferramentas de privacidade estão a ganhar força: a compreensão das ferramentas online que protegem a privacidade digital aumentou de 27%, em 2024, para 32%, em 2025. Embora o número continue baixo em termos gerais, o aumento de 5 pontos percentuais mostra que a conscientização sobre soluções como VPN e gestores de palavras-passe está lentamente a aumentar.
  • Regista-se uma maior compreensão sobre as permissões dadas às aplicações: o conhecimento sobre os dados a partilhar com as aplicações aumentou 3 pontos (de 91% para 94%), uma melhoria contínua, que sugere que há mais utilizadores que estão a aprender a limitar o acesso e a proteger as suas informações pessoais.

As atualizações continuam a ser descuradas: a consciência das vantagens de se atualizar as aplicações o mais rapidamente possível caiu mais 2 pontos (de 56% para 54%), um declínio que confirma uma tendência persistente: muitos utilizadores ainda desvalorizam o papel das atualizações na prevenção de ataques e na correção de vulnerabilidades.

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Metodologia

O Teste Nacional de Privacidade é um inquérito aberto, disponível a qualquer pessoa online. Não utiliza quotas de idade, género ou origem, pelo que não é representativo a nível nacional.

Em 2025, 30 792 pessoas responderam ao teste, o que constitui um aumento em relação às 25 567 de 2024 e às 30 747 de 2023. Os números neste artigo refletem as respostas recolhidas até 31 de julho de 2025. Se os resultados no site do TNP parecerem ligeiramente diferentes, é porque houve mais pessoas a fazer o teste desde então.

Também disponível em: Dansk,Deutsch,English,Español,Français,Italiano,Norsk,Polski,Svenska.

Especialistas da NordVPN

Especialistas da NordVPN

Os nossos especialistas da NordVPN conhecem os meandros das soluções de cibersegurança e esforçam-se por tornar a Internet mais segura para todos. Com um vasto conhecimento sobre ameaças online, partilham a sua sabedoria e dicas práticas sobre como evitá-las. Quer seja um novato em tecnologia ou um utilizador experiente, encontrará informações valiosas nos seus blogues. A cibersegurança deve ser acessível a todos, e nós fazemos com que isso aconteça, uma publicação de blogue de cada vez.